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Autocobrança feminina: quando nada parece suficiente

· 6 min de leitura

Você termina uma tarefa e já pensa no que poderia ter feito melhor. Conquista algo importante, mas logo surge uma nova meta. Descansa e sente culpa. Recebe um elogio, mas sua atenção continua presa àquilo que faltou.

Para muitas mulheres, a sensação de que nunca estão fazendo o suficiente pode acompanhar diferentes áreas da vida: trabalho, relacionamentos, maternidade, família e até a maneira como cuidam de si mesmas.

A autocobrança pode aparecer justamente assim: como uma exigência constante de fazer mais, ser melhor, corresponder mais. E, quando essa cobrança se torna parte da forma como nos relacionamos conosco, pode ser difícil perceber de onde ela vem.

Quando fazer mais nunca parece suficiente

Ter objetivos e desejar crescer não significa necessariamente viver em excesso de cobrança. A questão pode surgir quando nenhuma conquista parece realmente suficiente.

Uma meta é alcançada e imediatamente outra aparece. Um erro pequeno parece apagar tudo aquilo que foi feito certo. Descansar parece perda de tempo. Pedir ajuda pode trazer a sensação de incapacidade.

Nesse contexto, talvez a pergunta não seja apenas "como posso fazer melhor?", mas também:

"O que eu sinto que preciso provar quando tento fazer tudo tão bem?"

A mulher que precisa dar conta de tudo

A vida feminina pode ser atravessada por muitas expectativas. Ser uma boa profissional, uma boa mãe, uma boa parceira, cuidar da família, manter os relacionamentos e ainda encontrar tempo para cuidar de si.

Nem todas essas exigências estão presentes da mesma maneira para todas as mulheres, mas podem influenciar a forma como cada uma constrói sua relação consigo mesma.

Quando a ideia de que é preciso "dar conta" se torna muito presente, dizer não pode ser difícil. Pedir ajuda pode parecer fraqueza. E até o descanso pode precisar ser merecido.

Mas quem determina quanto é suficiente?

O que existe por trás da autocobrança?

Na psicanálise, não se trata simplesmente de aprender a se cobrar menos.

Trata-se de investigar o que essa cobrança significa para cada pessoa.

De onde vem a necessidade de corresponder às expectativas? O que significa, para você, falhar? O que poderia acontecer se você decepcionasse alguém? Que lugar você ocupa nas relações? E o que você deseja quando não está tentando corresponder ao desejo dos outros?

Essas perguntas não têm respostas prontas. Elas fazem parte da história singular de cada mulher.

A análise pode oferecer um espaço para colocar essas questões em palavras e compreender os sentidos que estão por trás de determinados sentimentos, escolhas e repetições.

Talvez você não precise fazer mais

Diminuir a autocobrança não significa abandonar seus desejos, seus projetos ou sua vontade de crescer.

Pode significar construir uma relação diferente com aquilo que você espera de si mesma: poder errar sem transformar o erro em fracasso, descansar sem culpa, pedir ajuda sem se sentir incapaz e reconhecer seus próprios limites.

Talvez a pergunta possa deixar de ser:

"O que ainda falta para eu ser suficiente?"

e passar a ser:

"O que acontece comigo quando sinto que nunca sou suficiente?"

Essa pode ser uma pergunta importante para começar a escutar a própria história.

Giovanna Gimenez é psicanalista e realiza atendimentos online para mulheres adultas em São Paulo e em todo o Brasil.

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