Autoestima e o valor que atribuímos a nós
Falamos de autoestima como se fosse uma medida fixa — algo que se tem em maior ou menor quantidade, que sobe quando damos certo e despenca quando falhamos. Mas a forma como nos avaliamos é mais complexa do que um termômetro. Ela tem história. Foi construída em meio a olhares, palavras e silêncios que nos acompanharam desde muito cedo, e continua sendo refeita a cada relação que vivemos.
Por isso, autoestima e vínculos andam juntos. O valor que atribuímos a nós mesmos aparece, com frequência, no tipo de relação que aceitamos, no que toleramos, no que pedimos e no que nem ousamos pedir. Não é raro alguém perceber que repete, em pessoas diferentes, um mesmo lugar: o de quem se esforça para ser amado, o de quem teme incomodar, o de quem se cala para não perder o outro.
A repetição como pista, não como falha
Quando notamos que caímos sempre no mesmo tipo de relação, é tentador concluir que há algo errado conosco. A psicanálise propõe outra leitura: a repetição é uma pista. Ela aponta para algo que ainda não foi compreendido, uma questão que insiste em retornar justamente porque busca elaboração. Repetimos não por fraqueza, mas porque parte de nós tenta, à sua maneira, resolver o que ficou em aberto.
Escutar essa repetição é diferente de se culpar por ela. Na análise, é possível seguir os fios dessas escolhas: de onde vem a sensação de não ser suficiente? A quem, lá atrás, tentávamos agradar? Que imagem de nós mesmos aprendemos a acreditar como verdadeira? Essas perguntas não têm respostas rápidas, mas o simples fato de poder formulá-las já muda algo na relação que temos conosco.
Construir um valor que não dependa só do espelho dos outros
Autoestima não é convencer-se de que se é maravilhoso. É, antes, poder se reconhecer como alguém digno de cuidado mesmo nas imperfeições — alguém que não precisa se anular para ser aceito. Esse reconhecimento costuma surgir devagar, na medida em que entendemos de onde vêm as nossas formas de nos diminuir.
Um espaço de escuta permite olhar para a própria história sem pressa e sem julgamento. Nele, é possível desfazer aos poucos a ideia de que nosso valor depende inteiramente do olhar do outro — e descobrir formas mais livres de se relacionar, inclusive consigo.
Este texto é uma reflexão e não substitui um acompanhamento individual. Cada história pede uma escuta singular.
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